O que você estuda
A grade integra um núcleo de conteúdos básicos em ciências exatas, um núcleo profissionalizante de engenharia geral (hidráulica, termodinâmica, fenômenos de transporte) e um núcleo específico com disciplinas de geologia do petróleo, engenharia de reservatórios, perfuração de poços e processamento de hidrocarbonetos — além de projeto integrador e estágio supervisionado obrigatórios.
Conteúdos básicos (ciências exatas)
Base científica obrigatória para toda engenharia, correspondente a aproximadamente 35% da carga horária, conforme a Resolução CNE/CES nº 2/2019.
- Cálculo Diferencial e Integral
- Álgebra Linear
- Equações Diferenciais
- Física Clássica e Experimental
- Química Geral e Orgânica
- Estatística e Probabilidade
- Mecânica dos Sólidos
Conteúdos profissionalizantes (engenharia geral)
Fundamentos de engenharia aplicáveis a diversas especialidades, com ênfase em fluidos e processos térmicos relevantes para a indústria de petróleo.
- Hidráulica e Mecânica dos Fluidos
- Termodinâmica Aplicada
- Fenômenos de Transporte
- Resistência dos Materiais
- Processamento de Dados e Programação Aplicada
- Segurança do Trabalho e Ambiental
Geologia e subsuperfície
Disciplinas que ensinam a identificar e caracterizar acumulações de hidrocarbonetos no subsolo.
- Geologia Geral e Estratigrafia
- Geologia do Petróleo
- Prospecção de Hidrocarbonetos
- Sísmica e Geofísica Aplicada
- Petrofísica
- Sedimentologia
Engenharia de reservatórios e perfuração
Núcleo específico do curso: modelagem de reservatórios, métodos de completação de poços e técnicas de elevação de fluidos.
- Engenharia de Reservatórios I e II
- Perfuração de Poços de Petróleo
- Completação e Estimulação de Poços
- Métodos de Elevação Artificial
- Simulação de Reservatórios
- Recuperação Avançada de Petróleo (EOR)
Processamento, transporte e gestão
Da produção ao consumidor: separação de fluidos, refino, dutos e aspectos regulatórios e econômicos do setor.
- Processamento de Petróleo e Gás Natural
- Refinamento e Craqueamento
- Transporte de Hidrocarbonetos (dutos e terminais)
- Legislação Petrolífera e Regulação da ANP
- Gestão de Projetos de E&P
- Economia do Petróleo
Prática e projeto integrador
Componente curricular obrigatório de aplicação real, com visitas técnicas, laboratórios e estágio supervisionado em campo ou indústria.
- Estágio Supervisionado
- Projeto Final de Curso (TCC)
- Laboratórios de Petrofísica e Fluidos
- Atividades Complementares
Disciplinas-chave
- Engenharia de Reservatórios
- Perfuração de Poços de Petróleo
- Geologia do Petróleo
- Métodos de Elevação Artificial
- Processamento de Petróleo e Gás Natural
- Petrofísica
- Termodinâmica Aplicada
- Simulação de Reservatórios
Saídas profissionais
Carreiras que esta graduação prepara — o salário vem de cada profissão (dados reais do mercado).
Modalidades
- PresencialPermitida
Modalidade plena: aulas teóricas e experimentais, laboratórios de petrofísica e fluidos, e estágio supervisionado realizados presencialmente na instituição de ensino ou em campo.
- SemipresencialPermitida
Parte teórica e de fundamentos pode ser cursada a distância; atividades práticas de laboratório, visitas técnicas e estágio supervisionado são obrigatoriamente presenciais, dado o caráter experimental da formação em Engenharia.
- EaD (a distância)Não permitida
Vedado. O Decreto nº 12.456/2025 (Nova Política de EaD) exige mínimo de 40% de presencialidade e 20% de atividades síncronas para cursos da área de Engenharia, Produção e Construção — inviabilizando a oferta integralmente a distância.
Como ingressar e pagar menos
- •ENEM + SISU (vagas em universidades e institutos federais públicos com curso)
- •Vestibular próprio das instituições privadas participantes
- •Transferência ou aproveitamento de estudos de cursos afins de Engenharia
Há vagas pelo ProUni (bolsas integrais e parciais) e financiamento pelo FIES em instituições privadas participantes. Engenharia é área estratégica para o FIES, com 70% das vagas por microrregião reservadas a cursos prioritários, entre os quais Engenharia está incluída. No Educabolsa, a taxa de ativação da bolsa garante o desconto negociado com a instituição parceira — não é mensalidade nem pagamento à faculdade.
- — O registro no CREA é obrigatório para o exercício profissional; sem ele, o profissional não pode assinar projetos, laudos técnicos nem responsabilidades técnicas.
- — Algumas universidades públicas oferecem o curso com ênfase em offshore ou em gás natural — verifique o projeto pedagógico antes de se inscrever.
- — Existe também o Curso Superior de Tecnologia (CST) em Petróleo e Gás, com duração de 2,5 anos, para quem busca formação técnica mais rápida; o tecnólogo também se registra no CREA, mas com atribuições profissionais distintas das do bacharel.
Regulamentação
O curso de Engenharia de Petróleo e Gás é regido pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Engenharia (Resolução CNE/CES nº 2, de 24 de abril de 2019), que estruturam a formação em três núcleos (básico, profissionalizante e específico) e exigem projeto integrador e atividades práticas. Pelo Decreto nº 12.456/2025, a oferta integralmente a distância é vedada para cursos de Engenharia. O exercício profissional no Brasil exige registro obrigatório no CREA da unidade federativa, com homologação pelo CONFEA, nos termos da Lei nº 5.194/1966.
Conselho: CREA — Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (homologado pelo CONFEA)
Resolução CNE/CES nº 2, de 24 de abril de 2019 (DCN dos cursos de Engenharia)
Mitos e verdades
Mito
O curso de Engenharia de Petróleo e Gás só serve para trabalhar na Petrobras.
A Petrobras é a maior empregadora do setor no Brasil, mas não é a única. Operadoras internacionais (Shell, TotalEnergies, Equinor, Repsol), prestadoras de serviços (Halliburton, Schlumberger/SLB, Baker Hughes), distribuidoras de gás natural, refinarias privadas e órgãos reguladores como a ANP também absorvem engenheiros de petróleo e gás.
Mito
Com a transição energética, o curso de Petróleo e Gás está em extinção.
O Brasil ampliou significativamente a produção no pré-sal nos últimos anos e os contratos de concessão se estendem por décadas. Além disso, o gás natural é considerado combustível de transição nas políticas energéticas globais, e engenheiros da área migram com facilidade para projetos de energia offshore, hidrogênio e CCS (captura e armazenamento de carbono).
Mito
Dá para fazer Engenharia de Petróleo e Gás completamente a distância (EaD).
Não. O Decreto nº 12.456/2025 veda a oferta integral a distância para cursos de Engenharia. Laboratórios de petrofísica, simulações de perfuração e estágios supervisionados em campo são componentes práticos obrigatórios que exigem presencialidade.
Verdade
O registro no CREA é obrigatório para exercer a profissão — sem ele, não é possível assinar responsabilidade técnica.
Sim. A Lei nº 5.194/1966 torna o registro no CREA condição indispensável para o exercício legal da Engenharia no Brasil. O profissional sem registro não pode emitir ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) nem assinar projetos, laudos ou pareceres técnicos.
Perguntas frequentes
O que se estuda no curso de Engenharia de Petróleo e Gás?
A grade é estruturada em três núcleos pela Resolução CNE/CES nº 2/2019: conteúdos básicos (cálculo, física, química, estatística), conteúdos profissionalizantes de engenharia geral (hidráulica, termodinâmica, fenômenos de transporte) e conteúdos específicos da área — geologia do petróleo, engenharia de reservatórios, perfuração e completação de poços, métodos de elevação artificial, processamento de petróleo e gás natural, e legislação petrolífera. O curso inclui ainda laboratórios experimentais, projeto integrador e estágio supervisionado obrigatórios.
Quanto tempo dura a graduação em Engenharia de Petróleo e Gás?
Tipicamente 5 anos (10 semestres), com carga horária mínima de 3.600 horas-atividade, conforme as Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de Engenharia (Resolução CNE/CES nº 2/2019). Grades de algumas IES podem ultrapassar esse mínimo. Existe também o Curso Superior de Tecnologia (CST) em Petróleo e Gás, com duração de 2,5 anos, que forma tecnólogos — distintos do engenheiro em atribuições profissionais.
Preciso me registrar no CREA para trabalhar como engenheiro de petróleo e gás?
Sim, o registro no CREA é obrigatório para o exercício legal da profissão no Brasil, nos termos da Lei nº 5.194/1966. Sem o registro, o profissional não pode emitir ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), assinar projetos, laudos técnicos nem assumir responsabilidade técnica em obras e operações. O processo envolve comprovação do diploma, pagamento de taxa e cumprimento dos requisitos éticos do sistema CONFEA/CREA.
Dá para fazer Engenharia de Petróleo e Gás a distância (EaD)?
Não integralmente. O Decreto nº 12.456/2025 (Nova Política de EaD) veda a oferta completamente a distância para cursos de Engenharia, exigindo mínimo de 40% de presencialidade e 20% de atividades síncronas. A modalidade semipresencial é autorizada — com parte teórica a distância e práticas de laboratório, visitas técnicas e estágio obrigatoriamente presenciais.
Tem ProUni e FIES para Engenharia de Petróleo e Gás?
Sim. O curso participa do ProUni (bolsas integrais e parciais) e do FIES em instituições privadas participantes. Engenharia é área estratégica para o FIES — 70% das vagas por microrregião são reservadas a cursos prioritários, entre os quais Engenharia está incluída. No Educabolsa, a taxa de ativação da bolsa garante o desconto negociado com a faculdade parceira.
Quais são os principais campos de atuação do engenheiro de petróleo e gás?
O engenheiro atua em exploração e produção (E&P) — incluindo operações offshore no pré-sal e onshore —, em refinarias e unidades de processamento de gás natural, em serviços de perfuração e completação de poços, em transporte dutoviário, em consultorias técnicas e em órgãos reguladores como a ANP. Operadoras nacionais e internacionais, prestadoras de serviços especializados (serviços sísmicos, cimentação de poços, fluidos de perfuração) e centros de pesquisa (como o CENPES da Petrobras) são empregadores típicos.
O curso serve apenas para trabalhar com petróleo ou também com gás natural e energias de transição?
A formação é ampla o suficiente para cobrir petróleo, gás natural (incluindo GNL e redes de distribuição) e, cada vez mais, projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS), hidrogênio offshore e energia eólica offshore — áreas que aproveitam as mesmas competências de subsuperfície, fluidos e engenharia de reservatórios. O gás natural tem papel reconhecido como combustível de transição nas políticas energéticas brasileira e global.
Fontes
- Resolução CNE/CES nº 2/2019 — DCN dos cursos de Engenharia (DOU)
- Decreto nº 12.456/2025 — Nova Política de Educação a Distância (Planalto)
- Portaria MEC — formatos de oferta de cursos EaD (gov.br)
- Lei nº 5.194/1966 — Regula o exercício das profissões de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Planalto)
- Registro de profissional — CONFEA
- Registro Profissional — CREA-SP
- Portal Único de Acesso ao Ensino Superior — ProUni, FIES, SISU (MEC)
- Censo da Educação Superior 2024 — INEP/MEC