O que faz um(a) Oficial da Marinha Mercante
Principais responsabilidades
- Planejar e executar rotas de navegação, incluindo cálculos de posição, correção de desvios e manobras em portos
- Garantir a segurança da embarcação, da tripulação e da carga durante toda a viagem
- Supervisionar operações de carga e descarga, verificando estabilidade e integridade estrutural do navio
- Manter e operar sistemas de propulsão, equipamentos náuticos e sistemas de segurança (oficiais de máquinas)
- Cumprir e fazer cumprir a legislação marítima nacional (NORMAM/DPC) e as convenções internacionais (SOLAS, MARPOL, STCW)
- Elaborar relatórios de viagem, registros de bordo e documentação exigida pela Autoridade Marítima
Entregáveis típicos
Áreas de atuação e setores
Onde se trabalha
Formação e requisitos
- Graduação
- Bacharelado em Ciências Náuticas
- Duração
- 4 anos
- Modalidade
- Presencial com regime de internato. O curso compreende 3 anos de período acadêmico e 1 a 2 anos de estágio embarcado obrigatório. Ofertado exclusivamente pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), por meio do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), no Rio de Janeiro, e do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), em Belém. Acesso via processo seletivo próprio conduzido pela DPC; exige ser brasileiro nato, estar quite com obrigações militares e eleitorais, ter concluído o ensino médio e ser aprovado em aptidão física, avaliação psicológica e inspeção de saúde.
- Exigência legal
- O exercício da profissão exige habilitação expedida pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil, que é a Autoridade Marítima responsável. A formação é regulada pela Lei nº 7.573/1986, alterada pela Lei nº 13.194/2015, e pelo Decreto nº 5.765/2006. O profissional é registrado como aquaviário e deve manter seus certificados de competência atualizados junto à DPC para operar legalmente a bordo de embarcações mercantes.
Certificações relevantes
- Certificado de Competência STCW — Oficial de Náutica ou Máquinas · Diretoria de Portos e Costas (DPC/Marinha do Brasil)Alta
- GMDSS — Global Maritime Distress and Safety System · DPC / Centros de instrução credenciadosAlta
- Curso Avançado de Combate a Incêndio (CACI) · Centros de instrução credenciados pela DPCAlta
- Certificação em Operações com Tankers (Líquidos Perigosos) · DPC / Centros credenciadosMédia
Habilidades essenciais
Técnicas
- Navegação astronômica e eletrônica — GPS, radar, ECDIS
- Meteorologia e oceanografia aplicadas à navegação
- Direito marítimo e convenções internacionais SOLAS/MARPOL/STCW
- Operação de sistemas de propulsão e máquinas auxiliares — oficiais de máquinas
- Estabilidade e teoria do navio
- Inglês técnico-marítimo — comunicação SMCP (Standard Marine Communication Phrases)
Comportamentais
- Liderança de equipes em ambiente de confinamento e pressão
- Tomada de decisão rápida em situações de emergência
- Comunicação assertiva com tripulação multicultural
- Disciplina e capacidade de trabalhar em escalas de embarque/desembarque
- Responsabilidade e ética profissional
Ferramentas
- ECDIS
- AIS
- GMDSS
- Radar ARPA
- Sistemas de monitoramento de máquinas e sala de controle
- Software de planejamento de viagem e gestão de carga
Trajetória de carreira
- 13ºOfc3º Oficial / Oficial de Quarto0–3 anos
Primeiro despacho após habilitação DPC; aprende rotinas de quarto de navegação e operação embarcada
- 22ºOfc2º Oficial3–6 anos
Responsabilidade por cartas náuticas, equipamentos de navegação e segurança; maior autonomia de quarto
- 31ºOfc1º Oficial / Imediato6–10 anos
Braço-direito do Comandante; gestão de carga, tripulação e manutenção; CBO 2151-25
- 4CmdtComandante / Capitão10+ anos
Máxima autoridade a bordo; responsabilidade total pela segurança, carga e cumprimento da legislação
Náutica (Convés)
- 3º Oficial → 2º Oficial → 1º Oficial (Imediato) → Comandante
- Especialização em tipos de navio: porta-contêineres, tankers, cruzeiros, offshore
- Certificações STCW avançadas: GMDSS, gerenciamento de emergências, operações em tankers
Máquinas
- 3º Oficial de Máquinas → 2º Oficial de Máquinas → 1º Oficial de Máquinas → Chefe de Máquinas
- Especialização em sistemas de propulsão, motores diesel e plantas de energia
- Certificações em sistemas de controle de poluição e gestão energética do navio
Terra (Shoreside)
- Inspetor de segurança naval junto à DPC ou classificadoras (Bureau Veritas, Lloyd's Register)
- Gerente ou superintendente de operações em companhias de navegação
- Docência em centros de instrução marítima credenciados pela DPC
Quanto ganha um(a) Oficial da Marinha Mercante
| Nível | Salário médio (mês) | Experiência |
|---|---|---|
| Júnior | R$ 5.614 | Estimado pelo percentil 25 (CAGED) |
| Pleno | R$ 7.617 | Estimado pela mediana (CAGED) |
| Sênior | R$ 12.268 | Estimado pelo percentil 90 (CAGED) |
Média geral: R$ 8.219/mês · Fonte: Novo CAGED / Ministério do Trabalho e Emprego (microdados) · Coleta: 2026-04
- Médias salariais de admissão (salário de contratação), 2025-06 a 2026-04.
- Valores ponderados por nº de registros; faixas estimadas por percentis.
- Oficiais da marinha mercante (conves/maquinas); validado pos-reprocesso
Evolução salarial por estado (últimos 11 meses)
Mercado e tendências
- O Brasil possui uma das maiores malhas de cabotagem da América Latina, com crescimento impulsionado pelo programa BR do Mar (Lei 14.301/2022) e incentivos à navegação costeira
- A exploração de petróleo no pré-sal mantém demanda constante por oficiais habilitados para operações offshore
- A renovação da frota mercante nacional e as concessões portuárias ampliam oportunidades de trabalho em terra (superintendência, inspeção e operações)
- A escassez global de oficiais qualificados conforme STCW favorece profissionais brasileiros em companhias internacionais
Tendências para os próximos anos
Mitos e verdades
Oficial da Marinha Mercante é o mesmo que militar da Marinha de Guerra
São carreiras distintas. A Marinha Mercante é civil, regulada pela DPC para fins comerciais. A Marinha de Guerra (Forças Armadas) tem carreira própria, ingresso por concurso militar e vínculo estatutário com o Estado.
O curso da EFOMM é pago como qualquer graduação particular
O curso é gratuito e mantido pelo Governo Federal via Marinha do Brasil, mas tem caráter seletivo e regime de internato; o aluno recebe bolsa de estudos durante a formação.
É obrigatório ser brasileiro nato para ingressar na EFOMM
Sim. A Lei nº 7.573/1986 e as normas da DPC exigem a condição de brasileiro nato como requisito de admissão.
Após formado, o oficial fica restrito a trabalhar no Brasil
Os certificados de competência emitidos pela DPC seguem as convenções STCW (IMO), o que permite ao profissional ser contratado por armadores estrangeiros e atuar em rotas internacionais.
Como começar
- 1Verificar os pré-requisitos da EFOMM: ser brasileiro nato, ter concluído o ensino médio e estar quite com obrigações militares e eleitorais
- 2Inscrever-se no processo seletivo da EFOMM (conduzido pela DPC/Marinha do Brasil) e preparar-se para as provas de aptidão física, avaliação psicológica e inspeção de saúde
- 3Escolher a habilitação de ingresso: Náutica (navegação e comando) ou Máquinas (engenharia e propulsão)
- 4Concluir os 3 anos de período acadêmico em regime de internato no CIAGA (Rio de Janeiro) ou CIABA (Belém)
- 5Cumprir o estágio embarcado obrigatório (1 a 2 anos) em embarcações conveniadas com a EFOMM
- 6Obter a habilitação de Oficial junto à DPC e manter os certificados STCW atualizados para progressão de carreira
Quem já trabalha na área
“Entrei na EFOMM pelo CIAGA direto do ensino médio. O regime de internato é puxado, mas a formação é sólida. Hoje faço rotas de cabotagem pelo litoral brasileiro e, com menos de 2 anos de despacho, já tenho uma remuneração acima da média para a minha faixa etária.”
“Fiz o curso no CIABA e escolhi a habilitação de Máquinas porque queria entender como o navio funciona por dentro. Hoje atuo em navio de apoio offshore no Campo de Búzios. O adicional de embarque faz diferença na remuneração e a experiência técnica que você acumula é única.”
“São 18 anos de carreira, passando por todos os postos de oficial até o comando. O que mais me orgulha é a responsabilidade: você é a maior autoridade a bordo. Para quem gosta do mar e quer uma carreira técnica e de liderança, a Marinha Mercante oferece uma progressão clara e reconhecimento internacional.”
Perguntas frequentes
O que faz um Oficial da Marinha Mercante no dia a dia?
Planeja e executa rotas de navegação, mantém o quarto de bordo, supervisiona a segurança da tripulação e da carga, opera equipamentos náuticos (radar, ECDIS, AIS) e cumpre as normas da DPC e as convenções internacionais SOLAS, MARPOL e STCW. Oficiais de Máquinas são responsáveis pela operação e manutenção dos sistemas de propulsão e energia do navio.
Quanto ganha um Oficial da Marinha Mercante (início/média/sênior)?
Conforme dados do Novo CAGED/MTE (referência 2026-04): Júnior (3º Oficial) em torno de R$ 5.600; Pleno (2º Oficial / 1º Oficial) em torno de R$ 7.600; Sênior (Imediato / Comandante) pode superar R$ 12.000. Operações offshore e rotas de longo curso internacional tendem a oferecer adicionais de embarque que elevam consideravelmente a remuneração total.
Precisa de conselho de classe (tipo CREA ou CFA) para exercer a profissão?
Não. A Marinha Mercante não possui um conselho de classe autorregulatório. A habilitação para exercer a profissão é expedida diretamente pela Diretoria de Portos e Costas (DPC) da Marinha do Brasil, que é a Autoridade Marítima competente. O profissional é registrado como aquaviário e deve manter seus certificados STCW válidos junto à DPC.
Onde é feita a formação e como é o processo seletivo?
A formação é feita exclusivamente pela Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), com dois centros: CIAGA (Rio de Janeiro) e CIABA (Belém). O processo seletivo é conduzido pela DPC e exige: ser brasileiro nato, ter concluído o ensino médio, estar quite com obrigações militares e eleitorais, e ser aprovado em aptidão física, avaliação psicológica e inspeção de saúde. O curso é gratuito e em regime de internato.
É possível trabalhar no exterior como Oficial da Marinha Mercante?
Sim. Os certificados de competência emitidos pela DPC são baseados na Convenção STCW da Organização Marítima Internacional (IMO), o que confere reconhecimento internacional. Armadores europeus, asiáticos e norte-americanos contratam oficiais brasileiros regularmente, com remuneração frequentemente superior à praticada na cabotagem nacional.
Fontes
- Lei nº 7.573/1986 — Ensino Profissional Marítimo
- Lei nº 13.194/2015 — Altera a Lei nº 7.573/1986
- Decreto nº 5.765/2006 — Regulamenta a Lei nº 7.573/1986
- EFOMM — Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (CIAGA)
- DPC — Diretoria de Portos e Costas: Profissionais, Formação e Carreira
- CBO 2151-25 — Imediato da Marinha Mercante (Ocupações.com.br)
- Novo CAGED / MTE (microdados) — referência salarial
Última revisão: 2026-06-02